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quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Saindo um pouco das postagens usuais...

Faço na faculdade o Núcleo Livre: Teoria Crítica, Arte e Educação. NL excepcional!
Por ele descobri uma matéria de 2001, mas que cabe como uma luva aos dias atuais. Como sou perculariamente "ativista" e claro, como boa descendente árabe, resolvi postar no blog parte do meu trabalho sobre a matéria em questão. É válido também um belo post do Alarcão sobre a essência - quase motivo - da matéria.

Matéria de Robert Fisk na íntegra aqui:

http://www.mail-archive.com/voto-eletronico@pipeline.iron.com.br/msg07290.html



Trata-se de um relato de Robert Fisk, um jornalista que documentou por cerca de 25 anos as guerras no oriente médio e foi agredido por uma multidão de refugiados em campo da divisa entre o Paquistão e o Afeganistão após todo esse convívio, digamos. Ele comenta como tudo começou tão rapidamente e que quando se deu conta, já estava sendo atacado, sangrando e chorando como um bicho. Foram socos, apedrejamento, chutes e murros com as pedras... Até que ele instintivamente reagisse tomou a decisão de continuar vivo e revidou à agressão a fim de sair do amontoado de gente a seu redor. Ele foi ajudado por um mulçumano que depois o levou a cruz vermelha aonde o atenderam.

A matéria do jornalista não se dá apenas com o intuito de registrar os minutos de terror, como ele mesmo afirma, mas também de chamar a atenção para os milhares de civis inocentes morrendo nos ataques aéreos americanos ao Oriente Médio... “Eu não podia culpá-los pelo que estavam fazendo... Eu teria feito a mesma coisa com Robert Fisk - ou qualquer outro ocidental que encontrasse.” Ou seja, mesmo passando pela agressão e alertando seus instintos mais primitivos, o jornalista ainda sim analisa a óptica não como o ser dominante – o que é bastante recorrente na globalização e indústria cultural - , mas parte dos princípios Afegãos, Paquistaneses e de todos os povos do Oriente Médio que foram massacrados, mortos e reprimidos por tanto tempo pelas demais potências ocidentais. Logo, não seriam eles realmente culpados pelos atos atrozes, afinal, agiram conforme a “educação” que foram a eles acometidas. Gentileza gera gentileza. A agressão era produto de uma ação bem maior, por exemplo, que envolvia a medíocre “guerra pela civilização”. Ao final da matéria ele ainda complementa: “Os agredidos foram os afegãos. As cicatrizes foram infligidas por nós, pelos aviões B-52, e não por eles”.

Tal análise tão controversa aos padrões costumeiros se consolida a meu ver, devido ao grande fato do jornalista ter acompanhado de perto – por 25 anos – os sofrimentos e brutalidades acumuladas ao Oriente Médio. Portanto, o texto nos induz a uma reflexão, é destinado aos ocidentais – presos a seu cotidiano e ao mundo padronizado – que se esquecem de olhar na óptica dos “perdedores”. Na óptica dos povos dominados. Se Robert Fisk não estivesse convivido com essa óptica durante tantos anos ele não teria compreendido como realmente é ser violentado.



"A mensagem era apavorante: alguém me odiava

o suficiente para poder me agredir".

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